Vinho de Cheiro 

Brummas© 2026

Por volta de 1870, após surtos de doenças que afetaram as vinhas, a casta Isabel foi introduzida no Pico. As suas uvas tintas demonstraram grande resistência e garantiram colheitas abundantes. O Vinho de Cheiro, produzido a partir desta casta, deve o seu nome ao aroma característico. Estudos de ADN indicam que esta variedade terá resultado de uma polinização acidental entre a *Vitis vinifera* mediterrânica e a casta francesa Meslier Petit, uma rara uva branca associada à produção de champanhe, tendo origem em variedades americanas.

"Os locais consideram que a proibição teve sobretudo motivos de proteção comercial dos vinhos de castas europeias, e não pela qualidade."

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Com a expansão da casta Isabel, a produção de Vinho Verdelho caiu de milhares para apenas algumas centenas de barris, ficando desde então limitada a pequenas zonas em torno da Madalena e de São Roque.

O Vinho de Cheiro é um vinho natural muito específico, geralmente produzido a partir de uma única casta e sem adição de açúcar. Com um teor alcoólico normalmente entre 6% e 10%, teve inicialmente pouco interesse comercial por parte dos produtores. 

Apesar desta avaliação, o Vinho de Cheiro continua a ser muito apreciado localmente. Associado ao convívio entre famílias e amigos, mantém também um papel importante em celebrações culturais e religiosas, como as Festas do Espírito Santo, e em diversas receitas tradicionais açorianas. É parte integrante da história e identidade das ilhas.

Em 1995, a União Europeia proibiu a comercialização do Vinho de Cheiro no espaço comunitário devido a alegados efeitos tóxicos associados à casta utilizada, posteriormente considerados sem fundamento. Por essa razão, uma proibição semelhante existente em França foi levantada em 2003. Muitos locais consideram que a medida teve sobretudo motivações comerciais de proteção dos vinhos de castas europeias. Independentemente disso, o Vinho de Cheiro mantém uma identidade própria e um perfil de sabor distinto.

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Por um lado, as vinhas estão protegidas pela classificação da UNESCO. Por outro, essa proteção implica, em muitos casos, a substituição das castas tradicionalmente cultivadas por outras variedades.

Existe, por isso, pressão de vários setores para levantar a proibição da produção de vinho a partir destas castas. Sem uma base científica sólida, esta restrição poderá até entrar em conflito com a própria proteção da biodiversidade local defendida pela União Europeia.

Como este vinho atualmente não é produzido comercialmente, quando muito de forma muito limitada, só é possível obtê-lo geralmente através de circuitos informais. Muitas famílias continuam simplesmente a produzi-lo para consumo próprio.

Atualmente, alguns produtores mais ousados voltam a produzir vinhos a partir da casta Isabela, comercializados como “A Proibida”, uma referência ao facto de a utilização do nome Isabela não ser permitida.

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Mesmo que esta proibição seja revertida, os danos serão significativos, pois parte das vinhas já foi substituída por outras castas associadas aos apoios existentes. A qualidade da uva depende também do desenvolvimento do sistema radicular da planta: quanto mais antigo e bem estabelecido, maior a capacidade de influenciar a qualidade da produção. Por isso, a perda de vinhas antigas dificilmente poderá ser recuperada.

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